Redação

12/08/2008

Aumenta a procura por programas de combate ao cigarro

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Aumenta a procura por programas de combate ao cigarro

O inimigo número um da saúde de 25 milhões de brasileiros mede pouco mais de oito centímetros, mas poucos conseguem derrotá-lo sozinho: dos fumantes que querem largar o cigarro, apenas 3% conseguem essa proeza sozinhos. Os dados são de Sabrina Presman, coordenadora do Programa de Controle de Tabagismo da Secretaria municipal de Saúde, que oferece de graça tratamentos em grupo para quem quer parar de fumar em 76 unidades no município do Rio. A mesma ajuda pode ser encontrada em hospitais estaduais e particulares, onde vem aumentando a procura por medicamentos e orientação de médicos e psicólogos.

“A maior parte das unidades atende 20 novos pacientes por mês. Temos uma busca grande por tratamento. Nossa meta é ter cem unidades oferecendo tratamento para parar de fumar até 2009”, explica Sabrina, que vê os consultórios médicos como uma das principais fontes de encaminhamento desses pacientes.

“Há uma mobilização maior nos consultórios. Temos oferecido todos os meses treinamento a profissionais de saúde, já treinamos mais de mil profissionais desde 2004”.

O tratamento tem duração de um ano e começa com uma entrevista para avaliar o grau de dependência do fumante. Os encontros, de acordo com o estágio em que estiver o paciente, podem ser semanais, quinzenais ou mensais. 

Mulheres buscam mais ajuda

As mulheres são as que mais buscam ajuda. Segundo Sabrina, elas costumam enfrentar mais dificuldades para parar de fumar do que os homens, pois sofrem mais com a depressão e têm medo do ganho de peso, além de lidar com os ciclos hormonais.

A doméstica Maura do Nascimento tem 48 anos e fuma desde os 14. Há dois anos, quando foi surpreendida por um câncer de mama, vem lutando contra o vício. Primeiro, passou de dois maços para dez cigarros por dia. Agora, fuma cinco unidades por dia e já marcou o dia em que vai parar de fumar de vez:

“Quarta que vem (dia 13) vou parar de fumar. Se Deus quiser, vou conseguir”, conta Maura.

A data não é aleatória. Maura é uma das fumantes atendidas pelo ambulatório do fumante do Instituto Estadual de Cardiologia Aloysio de Castro, no Humaitá, Zona Sul do Rio, onde os próprios pacientes avaliam se estão prontos e escolhem o dia para deixar o cigarro. Na porta da sala do coordenador Sérgio Freitas, lê-se numa placa: “Mesmo que você ainda não esteja pensando em fumar, venha conversar com a gente”.

Atendimento gratuito

Segundo Sérgio, ali são atendidos gratuitamente pacientes de todas as classes sociais. O projeto do ambulatório para 2008 é abordar aqueles que estão internados, a maioria das vezes por complicações causadas pelo cigarro, e mostrar a eles uma cartilha os estimulando a continuar sem fumar após a alta hospitalar.

“Percebemos que, após o susto de serem internados, 50% voltavam a fumar. O objetivo é que esses pacientes tenham alta, mas voltem a nos procurar para parar de fumar. Nós abrimos uma porta para esses pacientes”, explica Freitas.

Antes de iniciar o tratamento, o fumante passa por uma entrevista, em que é revelado seu grau de dependência, além de ser avaliado por um cardiologista. Metade daqueles que procuram o programa costuma desistir na primeira semana, mas há os que retornam tempos depois.

Remédios são coadjuvantes

Nas primeiras quatro reuniões, o fumante vai receber orientações de como mudar seus hábitos para evitar, por exemplo, as baforadas depois de um cafezinho ou do almoço. Na fase seguinte do tratamento, os pacientes já estão preparados e medicados para deixar o fumo, recebendo desde antidepressivos a adesivos de reposição de nicotina. Mesmo após pararem de fumar, continuam a ser acompanhados por um ano, em reuniões mensais.

“Parar de fumar é fácil. Difícil é a manutenção”, diz o coordenador.

Segundo Ricardo Meirelles, técnico da divisão de controle do tabagismo do Instituto Nacional de Câncer (Inca), nessa luta para se manter longe da fumaça os medicamentos são apenas coadjuvantes.

“Para que a pessoa pare, tem que ter determinação e procurar um médico. Entender quais são os motivos que o fazem ter vontade de fumar e aprender a resistir e a viver sem cigarro. Os medicamentos vão ajudar porque têm o poder de amenizar a síndrome de abstinência da nicotina”, explica Meirelles.

Novo remédio só para cigarro

Entre os medicamentos usados atualmente, segundo ele, estão a terapia de reposição de nicotina, por meio de adesivos ou gomas de mascar, que tem menos substâncias tóxicas e faz com que o cérebro aprenda a viver sem a nicotina.

Outro muito usado é o Bupropiona, antidepressivo que surgiu há dez anos. Segundo Meirelles, ele ajuda a diminuir a vontade de fumar, aumentando os níveis de dopamina, que influencia o prazer.

Em maio de 2007, chegou ao mercado o primeiro medicamento desenvolvido especificamente para o tratamento do tabagismo. O Champix, da Pfizer, que tem como princípio ativo a vareniclina, tem proporcionado bons resultados, segundo os especialistas. Na prática, a pessoa passa a sentir um certo enjôo e perde a vontade de fumar. Ao adquirir o medicamento, o fumante passa a participar de um programa da empresa, pelo site www.euqueroparar.com.br, que oferece suporte diário durante o tratamento, com envio de mensagens por e-mail ou celular.

Ex-fumante cria blog para buscar motivação

Se a união faz a força de quem quer parar de fumar, nada melhor do que a rede de computadores para buscar apoio. Foi o que fez a tradutora Glaucia Carvalho, de Belo Horizonte, que criou um blog que contabiliza há quanto tempo largou o cigarro: três meses de três dias.

“Queria uma maneira de tornar pública minha tentativa, criando uma certa cumplicidade e responsabilidade com meu público para manter-me distante do cigarro. Manter-se motivado em deixar o vício é duro e neste ponto o blog me ajuda e muito”, conta Glaucia, que fumou dos 13 aos 37 anos.

“Parar de fumar hoje é muito mais fácil que há alguns anos, quando o tabagismo nem mesmo era considerado doença. Com a variedade de medicamentos existentes, é possível controlar o humor, a ansiedade e as fissuras de fumar. Fumar é uma forma de suicídio lento. A todos que desejam parar, eu aconselho procurar um médico, fazer uma avaliação do seu grau de dependência a nicotina e seguir à risca o tratamento que ele indicar. E acrescente a tudo isso uma boa dose de determinação”, diz a blogueira.

Relatório da OMS propõe serviços de ajuda

Um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre a epidemia global de tabagismo, divulgado em fevereiro deste ano, revela que o tabaco mata uma pessoa a cada seis segundos. Ainda segundo o relatório, hoje o consumo de tabaco causa mais de cinco milhões de falecimentos ao ano. O estudo propõe o incentivo de políticas para prevenir o consumo de cigarros e oferecer ajuda para quem quer parar de fumar.

De acordo com a OMS, dos mais de um bilhão de fumantes no mundo, poucos conseguem a ajuda de que precisam: os serviços para tratar a dependência do tabaco estão disponíveis em só nove países, cobrindo 5% da população mundial.

No Brasil, os tratamentos para dependência do tabagismo nos hospitais públicos federais, estaduais e municipais começou em 2001, chegando ao Rio no ano seguinte. Segundo Celso Antônio Rodrigues da Silva, coordenador do programa de tabagismo do Ministério da Saúde, a procura é grande e o objetivo é capacitar mais médicos para o programa.

“Não é qualquer médico que está preparado. A procura está muito grande, aumentou com as campanhas, que têm tido um efeito muito bom”, explicou Silva.

Na mais recente ofensiva do Ministério da Saúde, em maio deste ano, imagens ainda mais chocantes passaram a ser exibidas nos maços de cigarro e pontos de venda. A próxima batalha contra o fumo já está marcada: será no dia 29 de agosto, Dia Nacional de Combate ao Fumo.

Saiba onde procurar ajuda: globo.com


Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL717288-5606,00.html

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