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Desde que a lei seca, que proíbe qualquer concentração de álcool no sangue, entrou em vigor no país em 19 de junho, empresas que vendem bafômetros (instrumento que mede a quantidade de álcool ingerido por uma pessoa), registraram crescimento na venda do aparelho, procurado principalmente por empresários da noite paulistana.
“Tivemos um aumento nas vendas de cerca de 60% com novos clientes, principalmente bares e casas noturnas”, disse Fabio Gambini, do Departamento Comercial da Instrutemp. Segundo ele, as vendas antes eram limitadas a transportadoras e Cipas (comissões de prevenção de acidentes em grandes empresas).
O aparelho mais barato vendido pela Instrutemp custa cerca de R$ 320, mas o estoque foi totalmente vendido e uma nova remessa deve chegar em até 60 dias. Outros dois modelos são vendidos pela empresa e custa R$ 800 e R$ 1.500. Nenhum deles é homologado pelo Inmetro “Mas o importador já está providenciando”, disse Gambini.
Na Dräger, a lei ainda não se reverteu em vendas, mas houve um número maior de consultas ao produto importado pela empresa, que é certificado pelo Inmetro e homologado pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). “Estamos participando de duas licitações, uma no Rio e outra no Paraná, mas vendemos também para empresas particulares e de seguros. É quase certo que teremos que aumentar as importações”, afirmou Eduardo de Carvalho, especialista de produtos da empresa.
Acidentes
Com a implantação da lei seca, o número de mortes em acidentes de trânsito diminuiu em São Paulo. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do estado, somente no primeiro mês de vigor da lei, a queda no número de óbitos na capital foi de 63%.
Levantamento feito com base em números do Instituto Médico Legal (IML) compara as três primeiras semanas de junho, período que antecedeu a chamada Lei Seca, com as três semanas posteriores. Na primeira fase, a média é de 11,7 mortos na quinta, sexta, sábado e domingo de cada semana. Depois da implantação da lei a média caiu para 4,3 mortos no trânsito.
Apesar das estatísticas, as opiniões ainda se dividem quanto a implantação da lei. A analista de sistemas Patricia Spranginas diz que é a favor de uma norma, mas não com a que foi implementada. “Sou a favor, mas acho que a polícia deveria punir quem se envolve em briga no trânsito, acidente ou racha e não olhar para a cara da pessoa e pará-la se ela está dirigindo numa boa”, afirma. Para a professora Márcia de Paula Lima, já estava na hora dos motoristas alcoolizados serem punidos. “É um perigo enorme tanto para motoristas como para pedestres. Você nunca sabe o que pode acontecer. Agora, me sinto até mais segura à noite.”
Porém, há quem seja radicalmente contra as novas regras por achar que pune quem não deveria. Para o metroviário José Carlos (nome fictício, já que ele não quis se identificar), bastaria os órgão de segurança fazer uma fiscalização mais rígida e aumentar a punição. “Do jeito que a lei foi feita, quem bebia consciente, como no meu caso, passou a ser considerado criminoso e quem bebia como louco vai continuar bebendo. Se não agora, quando a fiscalização abrandar”, disse. “Continuo bebendo como sempre fiz, conscientemente, e nunca causei um acidente por conta disso com 20 anos de carteira. Essas novas resoluções só transformam um bom cidadão em criminoso”, completou.
Segundo a Polícia Militar, no primeiro mês da lei a chamada Operação Direção Segura, realizada na capital, abordou um total de 5.535 pessoas. Destas, 2.386 tiveram de passar pelo teste do bafômetro, 65 foram detidas e 107 foram multadas. O número de veículos vistoriados foi 2.393.
Táxis
Se estabelecimentos que vendem bebidas alcoólicas se desdobram para não terem prejuízo, a nova lei beneficiou o setor de táxis.
Segundo a Associação das Empresas de Táxi de Frota do Município de São Paulo (Adetax), o faturamento das empresas aumentou cerca de 30% durante a noite e madrugada devido à maior procura dos veículos por pessoas que continuam bebendo.